Outubro é conhecido como o mês de conscientização sobre o câncer de mama e novembro chama atenção para a saúde do homem, especialmente para o câncer de próstata. Essas campanhas são importantes para lembrar que prevenção e diagnóstico precoce podem fazer diferença.
Especialmente quando falamos de pessoas idosas, é importante lembrar que a prevenção não significa necessariamente fazer todos os exames disponíveis. Com o envelhecimento, algumas doenças se tornam mais comuns, incluindo diferentes tipos de câncer, o que nos leva a pensar ainda mais na prevenção. A população idosa, no entanto, é muito heterogênea. Existem pessoas com 70, 80 ou 90 anos que são ativas, independentes e têm boa saúde, enquanto outras convivem com fragilidade, várias doenças e limitações importantes.
Por isso, a decisão sobre fazer ou não um exame de rastreamento deve levar em conta mais do que a idade. Nem todo exame de prevenção é indicado para todo mundo. Os exames de rastreamento têm como objetivo encontrar uma doença antes que ela cause sintomas. Isso pode ser muito útil em algumas situações, mas também pode trazer consequências quando realizado sem indicação. Um exame pode levar a resultados falso-positivos, novos exames, procedimentos invasivos, ansiedade e até tratamentos para alterações que nunca causaram problemas ao longo da vida.
Por isso, antes de solicitar um exame, é importante perguntar: se encontrarmos alguma alteração, existe uma conduta que realmente trará benefício para essa pessoa?
O câncer de mama é uma das neoplasias mais frequentes entre as mulheres. A mamografia é uma ferramenta importante para o diagnóstico precoce, mas a decisão de até quando continuar realizando o rastreamento deve ser individualizada conforme a saúde e as características de cada mulher. Uma mulher idosa saudável, ativa e com boa expectativa de vida pode se beneficiar do rastreamento. Já para uma pessoa muito frágil, com diversas doenças avançadas ou expectativa de vida limitada, os possíveis benefícios podem ser pequenos diante dos riscos e das consequências de uma investigação.
Além disso, qualquer alteração encontrada precisa ser avaliada dentro do contexto daquela pessoa. O objetivo não deve ser simplesmente encontrar doenças, mas identificar aquelas em que o diagnóstico e o tratamento podem realmente melhorar a saúde e a qualidade de vida.
Da mesma forma, o câncer de próstata também merece atenção, mas o rastreamento não deve ser feito de maneira automática para todos os homens. O exame do PSA pode apresentar alterações que não necessariamente significam a presença de um câncer que precise ser tratado. Em alguns casos, isso pode levar a uma sequência de exames e procedimentos, com possíveis efeitos adversos e impactos na qualidade de vida. Por isso, a decisão de realizar o rastreamento deve considerar os riscos e benefícios, a idade, as condições de saúde, a expectativa de vida e, principalmente, as preferências do próprio paciente.
Por isso, conversar com seu médico antes de iniciar ou manter um programa de rastreamento é a melhor forma de cuidar da saúde com mais segurança, para fazer os exames corretos e evitar exames desnecessários.
E lembre-se, prevenir também significa controlar adequadamente a pressão arterial e o diabetes, não fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, cuidar do peso, manter as vacinas em dia e evitar o uso desnecessário de medicamentos.
