A perda involuntária de urina é muito comum, principalmente com o avançar da idade, mas seja por vergonha ou por acreditar que esse é um problema natural do envelhecimento, muitas pessoas convivem com os sintomas por anos sem procurar ajuda. Sempre que esse sintoma estiver presente, é importante uma avaliação médica detalhada, pois as causas são variadas e, com o tratamento adequado, é possível obter uma melhor qualidade de vida.
Existem diversos tipos de incontinência urinária, que são diferenciados através dos sintomas e fatores de risco de cada paciente. A incontinência urinária de esforço, muito comum em mulheres e relacionada a gestações, partos, menopausa e fraqueza da musculatura do assoalho pélvico, se apresenta com perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer algum esforço. Já a incontinência urinária de urgência é aquela em que surge uma vontade súbita e difícil de controlar, sem tempo suficiente para chegar ao banheiro, muitas vezes devido a uma hiperatividade da bexiga. Muitas vezes os tipos de incontinência urinária podem vir juntos em uma mesma pessoa. Nos homens, a incontinência, muitas vezes está relacionada com alterações na próstata, que podem dificultar o esvaziamento adequado da bexiga. Além disso, doenças neurológicas, diabetes, constipação e alguns medicamentos podem contribuir para o problema, assim como questões de mobilidade que podem dificultar chegar ao banheiro a tempo.
O tratamento adequado é importante para melhorar a qualidade de vida, evitar o isolamento consequente do receio de perder urina fora de casa, além de prevenir infecções, irritações na pele, dificuldade de higiene e reduzir o risco de quedas, ocasionado pela necessidade de correr até o banheiro, principalmente durante a noite.Medidas simples, como adequar a ingestão de líquidos, tratar a constipação, reduzir o excesso de cafeína e estabelecer horários regulares para urinar podem ajudar a reduzir os episódios de perda. Em determinadas situações, o treinamento da bexiga é útil para aumentar gradualmente o intervalo entre as idas ao banheiro. A fisioterapia do assoalho pélvico também tem papel importante, principalmente nas mulheres com incontinência aos esforços.
Existem também medicamentos para alguns tipos de incontinência urinária, que podem ser iniciados após uma avaliação cuidadosa para entender a origem da incontinência e a melhor escolha para cada paciente, levando em consideração também outras doenças e remédios em uso. Em casos selecionados, procedimentos e cirurgias também podem ser considerados.
A incontinência urinária não precisa ser aceita como uma consequência inevitável da idade. Entender quando as perdas acontecem, identificar os fatores que contribuem para elas e escolher o tratamento adequado pode trazer melhora importante da autonomia e da qualidade de vida.